IP · Território de origem
Região de Salinas
Aguardente de cana tipo Cachaça
Região de Salinas é uma indicação de procedência relacionada a Aguardente de cana tipo Cachaça, em MG. Para quem deseja conhecer essa origem, o ponto de partida é entender o produto, o território e os saberes ligados à sua produção.
Região de Salinas é uma indicação de procedência relacionada a Aguardente de cana tipo Cachaça, em MG. Para quem deseja conhecer essa origem, o ponto de partida é entender o produto, o território e os saberes ligados à sua produção.
A Indicação de Procedência reconhece a reputação de um lugar na produção de um produto ou na prestação de um serviço.
Os documentos e a delimitação apresentados nesta página ajudam a conhecer o que identifica essa origem. A inclusão de um município não significa que toda a sua área esteja abrangida pela indicação geográfica. Visitas a produtores dependem dos canais e das condições informados por cada estabelecimento.
Conheça esta origem
- Nome no registro
- Região de Salinas
- Registro INPI
- IG200908
- Modalidade
- Indicação de Procedência
- Estado relacionado
- Minas Gerais
- Concessão do registro
- 16/10/2012

Onde fica a área geográfica
A delimitação define a área vinculada a esta origem. Consulte o documento oficial para limites, condições e eventuais áreas parciais.
A área geográfica delimitada para produção possui uma área total de 2541,99 km², abrangendo a totalidade dos municípios de Salinas e Novorizonte e parte dos municípios de Taiobeiras, Rubelita, Santa Cruz de Salinas e Fruta de Leite, todos situados ao norte do Estado de Minas Gerais. Considerando as coordenadas extremas, a região localiza-se entre os paralelos 16º18'01,2" e 15º50'59,4" ao sul da linha do equador e entre os meridianos de 42º37'00,2" e 41º45'13," oeste de Greenwich.
O que caracteriza o produto ou serviço
A indicação de procedência "Região de Salinas" é exclusiva para identificar como produto a "cachaça" produzida, elaborada, envelhecida e engarrafada, obrigatoriamente, dentro da área geográfica delimitada. A cachaça produzida na Região de Salinas apresenta, conforme a legislação em vigor, graduação alcoólica de 38% vol. a 54% vol. a 20°C (vinte graus Celsius), obtida do destilado alcoólico simples de cana-de-açúcar ou pela destilação do mosto fermentado do caldo de cana-de-açúcar, podendo ser adicionada de açúcares até 6g/l (seis gramas por litro), expressos em sacarose.
A indicação de procedência "Região de Salinas" é exclusiva para identificar como produto a "cachaça" produzida, elaborada, envelhecida e engarrafada, obrigatoriamente, dentro da área geográfica delimitada. Somente poderá ser utilizado cultivares produzidos dentro da área delimitada para o uso da IP "Região de Salinas", sendo o cultivar mais comumente utilizado o Java.
O armazenamento e envelhecimento deverão obedecer às denominações: a) cachaça - armazenada em tonéis de aço inox ou madeira, desde que não alterem suas características sensoriais. b) cachaça envelhecida - armazenada em tonéis de madeira com capacidade máxima de 700 (setecentos) litros, por um período não inferior a 1 (um) ano, podendo ser adicionada em até 50 % de seu volume com cachaça não envelhecida. c) cachaça premium - cachaça envelhecida em recipiente de madeira apropriado, com capacidade máxima de 700 (setecentos) litros, por um período não inferior a 1 (um) ano. d) cachaça extra premium - cachaça envelhecida em recipiente de madeira apropriado, com capacidade máxima de 700 (setecentos) litros, por um período não inferior a 3 (três) anos.
A relação entre o produto e o lugar
A documentação descreve os elementos do ambiente, da história e do saber-fazer associados a esta indicação.
A produção de cachaça artesanal no município iniciou-se no final do século XIX, seguindo os rastros da atividade pecuária. Os pioneiros além de lidar com o gado tinham experiência em produzir cachaça. Muito embora fosse uma atividade complementar à pecuária, alguns produtores conseguiram se destacar pela qualidade da cachaça que produziam. No início do século XX já havia alguma produção em escala comercial no município.
As boas perspectivas econômicas para o processo de fabricação de cachaça em Salinas tiveram início a partir da década de 1940, por meio do fazendeiro Anísio Santiago (1912-2002), que iniciou produção de cachaça artesanal na Fazenda Havana. Foi o primeiro produtor de cachaça de Salinas a formalizar e dar aspecto de legalidade ao seu negócio. A experiência positiva de Anísio Santiago propiciou o surgimento de novos produtores na década de 1950, que viam na atividade uma alternativa de renda viável. Iniciava-se em Salinas uma nova atividade econômica que iria mudar todo o panorama econômico do município: o agronegócio da cachaça.
O município de Salinas foi, aos poucos, despontando no mercado regional e nacional como produtor de aguardente de cana tipo cachaça. Atualmente, o município é a principal referência nacional na produção de cachaça artesanal de qualidade. É o maior produtor do estado tanto em volume de produção como em número de marcas comercializadas. Em 1985 a produção era estimada em 200 mil litros, passando para 640 mil em 1995. No ano 2000 a produção saltou para cerca de 1,5 milhões de litros, conseguindo em 2009 o equivalente a 5 milhões de litros.
Nas últimas décadas, o município de Salinas foi reconhecido como a capital nacional da cachaça artesanal, onde são produzidas as mais cobiçadas marcas de cachaças do país. Turistas de todo o Brasil e até mesmo do exterior visitam Salinas para conhecer e degustar a bebida no Festival Mundial da Cachaça, cujo evento é realizado todos os anos desde 2002 pela Associação de Produtores Artesanais de Cachaça de Salinas (APACS), que conta com o apoio logístico e financeiro da prefeitura do município.
Determinadas regiões possuem condições ambientais de solo, clima, altitude, radiação solar e luminosidade que, aliadas ao talento e à técnica do homem, são responsáveis por produtos agroalimentares que se distinguem dos demais fabricados em outros locais. A principal característica da região de Salinas para a produção de cachaça é a uniformidade do solo e do clima semiárido. O município apresenta baixo índice pluviométrico com média anual em torno de 700 mm de chuvas. Costuma chover de novembro a março, época ideal para o plantio da cana-de-açúcar.
O solo, o clima semiárido, a utilização de variedades de cana-de-açúcar apropriadas, a utilização de fermento orgânico natural, a obsessiva higiene dos alambiques e a tradição dos produtores são fatores que vêm fazendo diferença no processo de produção de cachaça artesanal em Salinas. A Região de Salinas, situada ao norte de Minas Gerais, é a principal referência na produção de cachaça artesanal no Estado. É a maior produtora do estado, tanto em volume quanto em número de marcas comercializadas. A principal característica da sua produção é a uniformidade do solo e o clima semiárido.
A região apresenta baixo índice pluviométrico, com média anual de 700 mm. As chuvas vão de novembro a março, época ideal para o plantio da cana-de-açúcar. Salinas possui a maior concentração de marcas de cachaça artesanal do Brasil com mais de sessenta marcas e produção estimada em cerca de cinco milhões de litros por safra. Convém lembrar que a marca de cachaça artesanal mais tradicional do Brasil atualmente é produzida em Salinas. É a famosa cachaça Havana-Anísio Santiago, reconhecida Patrimônio Cultural Imaterial de Salinas por meio de Decreto Municipal nº. 3.728/2006, fato inédito no Brasil.
Também é de Salinas o maior produtor do estado em volume de produção comercializada sob as marcas Boazinha, Saliboa e Seleta. Outras marcas tradicionais como Beija-Flor, Canarinha, Cubana, Erva Doce, Indaiazinha, Lua Cheia, Majestade, Nova Aliança, Piragibana, Sabor de Minas, Salineira, Terra de Ouro, dentre outras, fazem sucesso junto ao consumidor que a cada dia vem apreciando e degustando a mais genuína bebida brasileira: a cachaça. Premiada internacionalmente, cita-se a medalha de ouro no Concours Mondial de Bruxelles - Spirits Selection 2014, recebida pelo alambique Cachaça Salinas.
Outros fatos reforçam a reputação conquistada pela cachaça produzida na região: - Em 1990, a revista PLAYBOY (edição de maio) lançou seu primeiro ranking de cachaça. A cachaça Havana, do produtor Anísio Santiago (1912-2002) ficou em primeiro lugar. - Em 2007, a revista PLAYBOY (edição de abril), elegeu sete marcas de Salinas entre as vinte melhores do país: Anísio Santiago¬-Havana (2º. Lugar), Canarinha (3º.Lugar), Boazinha (6º. Lugar), Piragibana (10º. Lugar), Indaiazinha (12º. Lugar), Lua Cheia (16º. Lugar) e Seleta (18º.
Lugar), tendo representatividade de 35% do rol das marcas eleitas. - Em 2009, a revista PLAYBOY elegeu duas marcas entre as melhores do pais: Anísio Santiago-Havana (1º. lugar) e Canarinha (6º. lugar). - Em 2010, a revista VEJA (edição de janeiro 2010) lançou seu primeiro ranking de cachaça, sendo que a cachaça Anísio Santiago-¬Havana ficou em primeiro lugar na categoria cachaça envelhecida. A marca Canarinha ficou em quatro lugar. - Em 2011, no último ranking da revista Playboy (edição de julho), duas marcas de Salinas foram eleitas entre as vinte melhores do país: Anísio Santiago-Havana (1º. lugar) e Canarinha (6º. lugar).
Quem requereu o registro
Associação dos Produtores Artesanais de Cachaça de Salinas – APACS
Entidade indicada como requerente na ficha técnica consultada.
Municípios relacionados
O vínculo documentado não significa que todo o território de cada município esteja dentro da IG.
Minas Gerais
Santa Cruz de Salinas
Conhecer destinoMinas Gerais
Salinas
Conhecer destinoMinas Gerais
Fruta de Leite
Conhecer destinoMinas Gerais
Rubelita
Conhecer destinoMinas Gerais
Novorizonte
Conhecer destinoMinas Gerais
